O que é a Linha de pretos-velhos na Umbanda?
Os pretos-velhos são uma das linhas mais emblemáticas da Umbanda. Apresentam-se como anciãos negros, ligados à experiência da escravidão e à sabedoria prática, e são associados à paciência, à humildade e ao acolhimento. O preto-velho é a figura de quem viveu o trabalho forçado e chegou à velhice carregando memórias e ensinamentos.
Memória da escravidão
Segundo a Wikipédia, a linha reelabora simbolicamente a memória da escravidão: figuras historicamente deixadas à margem passam a ter autoridade moral e espiritual. Os autores lembram que o arquétipo não é um retrato literal de uma pessoa.
A linguagem dos pretos-velhos
A linguista Laura Álvarez, professora da Universidade de Estocolmo, ouvida pelo Brasil Escola, lembra que muitos pretos-velhos falam de forma marcada: trocam sons, como “tera” no lugar de “terra”, e usam expressões como o “zí, fio”. Para ela, o “zí” não tem função gramatical no português, mas é um marcador de línguas da família banto, faladas em Angola e no Congo. Segundo a pesquisadora, essas falas guardam a história de pessoas escravizadas que aprenderam o português depois de adultas, e que mantiveram costumes e saberes.
Ervas e cura
Na mesma linha, o pesquisador Marcelo Máximo, autor de um livro sobre ervas medicinais nos cultos de preto-velho, contou ao Brasil Escola que, na sua tradição, cada pedido de ajuda costuma vir com recomendações de ervas, chás e orações, e que essas ervas têm horário de colheita e modo de preparo. Ele afirma que algumas ervas têm princípios ativos parecidos com os de medicamentos. Isso não substitui tratamento médico: procure um profissional de saúde para qualquer doença.
Falanges
Os pretos-velhos também se organizam em falanges, com nomes e estilos próprios. A Wikipédia cita a Vovó Maria Conga como exemplo. Cada casa reconhece as suas. Veja também a Vovó Catarina.
Guias de preto-velho
Quem busca uma guia dessa linha costuma procurar tons de madeira, cristais e cores claras. Veja os terços, as guias naturais e as guias de cristal, ou peça uma composição sob medida.
Veja também a linha de erês, outra linha de trabalho, e a página de Umbanda, sobre a origem da religião.
Fontes
- Brasil Escola, “13 de maio: o que a cultura dos Pretos Velhos tem a ensinar sobre a Língua Portuguesa” (Tiago Vechi).
- Brasil Escola, “13 de maio: entenda a relação dos Pretos Velhos com a medicina” (Tiago Vechi).
- Wikipédia, “Linhas de trabalho na umbanda” (CC BY-SA 4.0).
Este texto é informativo. Falanges, nomes e usos variam de casa para casa: siga a orientação da sua casa. Ervas não substituem tratamento médico.